Lá vai a ata da última reunião do NAT. Deu trabalho, que a reunião foi extensa...
ATA DE REUNIÃO – NÚCLEO DE ARTE E TECNOLOGIA
Sob a coordenação do prof. Dr. Ricardo Hage de Matos, no dia 23 de Abril de 2004 às 14 horas, aconteceu a reunião semanal do Núcleo de Arte e Tecnologia FASM.
Os trabalhos contaram com a participação dos pesquisadores Eliana Del Bianco Alves e Vera Sanowicz, além da presença de Valérie Dantas Mota e Maia Luiza Girotto Gentil, artistas plásticas e alunas da Pós-graduação em Arte Visuais da Faculdade Santa Marcelina. Contamos com a assistência de Carolina Toledo, técnica do Ateliê de Arte e Tecnologia. Registramos também a presença em nosso espaço dos participantes do Núcleo de Pesquisas em Mixed Mídia, coordenado por Shirley Paes Leme. Compartilhamos o espaço do ateliê enquanto esse grupo produzia material para portfólio eletrônico relativo a suas produções.
A reunião foi iniciada com a informação de que naquele momento se dava o primeiro encontro presencial entre as pesquisadoras Eliana Alves e Vera Sanowicz. Essas pesquisadoras têm se comunicado através do web fórum do site Ricardo Hage.com, onde produzem algumas interessantes reflexões. Ainda não se conheciam pessoalmente.
Ricardo Hage destacou o início da exposição de Nuno Ramos no Centro Cultural Banco do Brasil apresentando as impressões que o arquiteto Manolo Vilches teve sobre a montagem das instalações do artista plástico e que lhe foram comunicadas pessoalmente.
Outra informação importante foi a constatação de que não haveria tempo hábil para a participação dos integrantes do núcleo de pesquisa no evento de arte tecnologia que ocorreria no bairro da Lapa na cidade do Rio de Janeiro.
O convite feito por Arthur Matuck a Ricardo Hage para uma participação no evento ArtMídia em Setembro também foi anunciado. Indagado sobre a possibilidade da apresentação neste evento da pesquisa “O Ovo Belga”, Ricardo Hage recorda uma das experiências que iniciam essa sua discussão sobre o campo da culturalidade brasileira, o incidente da escadaria da Estação Ferroviária Central em Milão, Itália. Durante uma viagem a Europa em 1988/1989, Ricardo Hage ao chegar a Milão se depara com uma grande escadaria na estação ferroviária da cidade. Fica impressionado com a grandiosidade do lugar, dado que a escadaria apresentava, ao longo de suas extremidades, uma série de esculturas de figuras humanas dramaticamente localizadas. O ambiente era escuro e tanto as paredes quanto as esculturas apresentavam uma cor cinza amarelada típica da poluição da cidade e da época do ano (inverno). As figuras humanas emolduravam a escadaria permitindo que os transeuntes apenas passassem pelo centro da escadaria. Ao chegar mais perto o pesquisador percebe pela primeira vez como funciona o olhar do brasileiro em relação aquilo que é estrangeiro: as estátuas eram, na realidade, mendigos que se agrupavam na escadaria pois ali contavam com a proteção que uma corrente de ar quente da estação dava contra o ar frio do inverno. Dentro de seu olhar “brasileiro” o pesquisador não conseguira enxergar a miséria em um país que , por definição, não poderia comportá-la. Percebeu nesta situação a grande força dos padrões imagéticos e cognitivos que nos são impostos ideologicamente, economicamente e existencialmente.
Iniciando as orientações de pesquisa o coordenador é informado por Vera Sanowicz de seu desejo de produzir uma “colagem” digital utilizando suas falas com Eliana Alves no web fórum. A partir desse desejo, ligado a questão da linguagem, Ricardo Hage inicia uma discussão apresentando sua intenção em trabalhar com Code Art. Explica ao grupo os conceito do uso do código de programação em computadores como meio artístico e das possibilidades desse tipo de trabalho. Explica sua proposta de produzir imagens que só poderiam ser vistas acessando-se a fonte (source) da página em html, trabalhando na programação de seu site da mesma maneira como na ASCI art. Vera Sanowicz propõe então uma outra abordagem onde o embaralhamento do código fonte produzindo imagens seria refletido numa mudança na aparência do site. O grupo dedica algum tempo da reunião observando as possibilidades desse trabalho diretamente na internet utilizando alguns dos computadores do Ateliê. Fica também acertado que esse trabalho poderá vir a ser apresentado no FILE – Fórum Internacional de Linguagens Eletrônicas durante o mês de setembro, em São Paulo.
Eliana Alves, por sua vez, começa a discutir a necessidade de um texto que acompanhe seu trabalho no intuito de explicitar o seu sentido. Na realidade a pesquisadora está preocupada com um dos grandes problemas da pesquisa em arte na contemporaneidade, a dificuldade de comunicação dos conteúdos artísticos. Em seu trabalho o conceito parece ser mais forte do que a produção visual, o que deixa a pesquisadora insegura quanto a qualidade imagética da sua produção. Ricardo Hage orienta a pesquisadora a entender o trabalho feito até agora como duas séries distintas: os trabalhos onde o sujeito, na fotografia digital, é valorizado e os trabalhos onde esse sujeito é velado ou retirado. Orienta a pesquisadora a apresentar estes dois trabalhos em sua monografia no curso de Pós-graduação em Artes Visuais FASM, já que fazem parte de um mesmo contexto. Uma das séries leva a outra explicitando assim seu processo artístico. Orienta também quanto ao cronograma de trabalhos e a real situação da pesquisadora em relação ao cronograma, que é bastante favorável: a fase de produção está quase terminada sendo que a pesquisadora deve iniciar agora a produção do registro de pesquisa/monografia.
Valérie Mota apresenta ao grupo seu portfólio onde constam os primórdios de sua pesquisa atual . Apresenta também os novos trabalhos da série “Espécie”, obras em que ,utilizando-se de computação gráfica, seu corpo é coberto de padrões criados a partir de sua trajetória artística. A descrição técnica da produção dessas imagens, onde é utilizado o software Photoshop, inspiram Ricardo Hage a criar o termo “computação gráfica artesanal” dado o alto grau de trabalho “braçal” e artesania envolvidos no fazer desses trabalhos. Essa constatação se insere em outra questão levantada pela pesquisadora que é a do uso de títulos na obra de arte contemporânea. A artista nota que a utilização do termo “sem-título” para nomear a obra de arte em catálogos e exposições não faz muito sentido já que, se o problema é o de evitar que o observador seja orientado a fazer uma leitura figurativa da arte, é melhor que nada seja titulado. A pesquisadora declara também que está a procura de uma definição conceitual e formal que seja mais claramente identificável.
Ao se aproximar o horário do término da reunião Maria Luiza Girotto é questionada sobre a possibilidade de adiamento de sua orientação para o próximo encontro. Após a resposta afirmativa da pesquisadora os trabalhos são encerrados.