Ontem estive na abertura da exposição da Leda Catunda na Fortes Vilaça.
Ah, mas foi muito engraçado.
Quando ela me viu deu um berro e falou "nooosssa, que acontecimento, você estar aqui!". Pois é, eu não vou a lugar nenhum, já deixei de ir até em abertura de exposição minha, hehehe. Como estou sob efeito de uma dose única de Argentun CH200 (coisas dessa nova médica homeopata com a qual me consultei) mandei arrumar a lataria do carro, fui no cabeleireiro e ainda arrematei na exposição da Leda carregado pelo Manolo Perez. E saí de fininho pra jantar na casa da Carla Fazenda!
Mas o que importa é que tive meus quinze minutos (anuais) de fama: o povo que frequenta vernissage e não me conhece começou a se cutucar querendo saber quem eu era, afinal a dona da festa estava dizendo que eu era "alguém". Além disso fiquei conversando com a Valérie Mota e com o Felipe Dib além do Sérgio Romagnolo. Tatiana Russo também estava lá e ficamos dando uma de críticos de arte só pra fazer presença. Quando os nossos alunos do terceiro ano chegaram (em carreata) a apoteose estava completa.
E quanto ao trabalho?
As obras de Leda são um mistério pra mim. Não fazem parte do meu horizonte noético (o arcabouço que constrói meu gosto, fato que me impossibilita de fazer uma de suas pinturas/colagens combinar com meus sofás) mas eu compreendo seu trabalho muito bem. Ele faz parte dessa coisa divertida, desse jeito de ser meio moleque da artista, no qual os limites entre um trabalho sério (como se isso fosse possível) e uma piada são absolutamente etéreos. Ela é uma grande contestadora, não há a menor dúvida. Leda continua, formalmente falando, a investir no orgânico. Suas pinturas moles voltaram, ao longo desses anos, a bidimensionalidade permitindo que delas a artista extraísse a essência, ou seja, as formas. Alguns poderiam tachar seus trabalhos como "técnica mista sobre papel" mas na realidade o que há é uma mixagem de conceitos visuais, onde colagem utilizando tecidos e rendas, aquarela e até (o que parecia ser, esqueci de perguntar) caneta hidrográfica criam uma conversa. Essa conversa que inicialmente pode não agradar, instantaneamente impressiona. Leda abusa das grandes dimensões: três de seus trabalhos são gigantescos, tomando quase que paredes inteiras da galeria. Essa é mais uma mostra da sua verve contestadora já que trabalhar sobre papel em tão grande dimensão é, além de um problema técnico sério, um tabu artístico. Afinal, para quê gastar tanta energia e reflexão sobre um suporte que pode não aguentar a passagem do tempo? Leda não está nem aí para isso, até porquê o que importa na arte contemporânea é a informação visual. Se eu posso digitalizar uma obra de arte e manter sua essência visual intacta qual o problema em gastar talento sobre celulose prensada?
E para aqueles que dizem que eu só falo dela como alguém que está sempre descabelada posso dizer que ontem ela estava muito bem penteada. Tenho dito.