E por falar na Bienal, enfim dei uma passada por lá...
Gente, não é por nada não, mas será que não era possível fazer uma produção mais sofisticada? O prédio da Bienal continua em frangalhos, cheio de goteiras, infiltrações e coisas do gênero. Não é de se espantar que o público tenha depredado várias obras com tamanho furor: se o espaço está depredado o público sente-se à vontade pra fazer o que quiser. Eu diria que lá ocorre o contrário do que acontece com o metrô paulistano onde estações e vagões bonitos e bem conservados são preservados pelos seus usuários.
Será que foi apenas falta de dinheiro ou a produção obedeceu a essa tendência das artes visuais de tratar do contemporâneo como algo desestruturado? Mas isso já é muito antigo, pelo amor de Deus...
Um reflexo disso está na exibição de vídeos em algumas instalações: custava construir um invólucro neutro para a colocação do equipamento de vídeo e televisão? As pessoas ficavam mais interessadas em olhar o equipamento já que estão acostumadas a fazer passeios culturais no shopping ou nas casas Bahia. Ou será que isso era exigência do patrocinador?
E essa foi a Bienal do datashow! Nossa, o que seria da arte contemporânea sem os projetores computadorizados. Havia um andar quase inteiro com trabalhos em vídeo sendo projetados em tela, como em pequenos cinemas. Era tanto datashow que fico espantado que nenhum artista tenha então explorado o PowerPoint como mídia expressiva...Quer saber de uma coisa, vou fazer um projeto assim!
Ta vendo gente, isso é que é conseguir um projeto novo a partir de uma referência contemporânea.