Gente, lá vai o release da Maria de Castro, que vai trabalhar comigo na Labor III:
Maria de Castro (1957) é portuguesa, vive e trabalha na cidade do Porto.
Desde tenra infância interessa-se pela arte, estudando balé, canto e pintura. Seu interesse pelas artes plásticas torna-se mais definido após sua entrada na Escola de Artes de Sagres, onde ainda adolescente, estuda com Alfonso Negri, Coropão e Fagundes. Começa a participar intensamente da vida cultural portuguesa da década de 70 fazendo parte, ainda com 17 anos, da Revolução dos Cravos. Com o final da revolução, convidada por uma série de intelectuais portugueses, viaja a Paris com o intuito de estudar Artes Visuais na École de Belles Artes. Nessa época seu interesse pela arte conceitual como forma de representação simbólica é aguçado pelo trabalho de Tinguely, artista de quem foi assistente. No início da década de 80, volta a Portugal e fixa residência no Porto, onde instala seu ateliê na “Casa das Burras n’Água”, edifício de um antigo e famoso curtume.
Inicia ali uma produção em arte contemporânea ligada as questões culturais Portuguesas. Com a iminência da entrada de Portugal na Comunidade Européia, Maria de Castro inicia os famosos estudos da série conhecida como Cabeça e Corpo. Nestes estudos a artista discute a inversão que se dá na relação de Portugal com o mundo tornando-se de colonizador a colonizado. A série Cabeça e Corpo é uma metáfora da forma como Portugal colonizou o mundo, sendo que a cabeça (mente, desejos, intenção) sempre estava na metrópole, enquanto os corpos (a máquina, a produção, a riqueza) eram as colônias. Os corpos sempre estavam à procura da cabeça, em uma metáfora da forma como os coloniais desejavam sempre retornar à metrópole e nunca, como no resto dos países colonizados por outros povos, fundar uma nação autônoma.
O trabalho mais famoso dessa série é o Estudo n. 24, trabalho apresentado na Bienal de Veneza. Essa obra consistia da instalação de postas de bacalhau seco formando uma pilha na qual era impossível perceber uma única indicação de direção. A montagem da instalação numa grade quase invisível de fios de nylon permitia que as postas de bacalhau tomassem quase que qualquer posição em um ângulo de 270 graus. A instalação discutia a questão de que no bacalhau seco, um dos alimentos mais fundamentais da cultura portuguesa, inexiste uma cabeça. Como metáfora do uso que Portugal dava as suas colônias o bacalhau é um exemplo perfeito já que é consumido sem cabeça, cuja forma, inclusive, o povo português desconhece.
Durante a Bienal o sistema de ar condicionado que permitia que o odor característico das postas de bacalhau não se espalhasse pelo ambiente entrou em pane, ficando vários dias desligado. O cheiro característico desse material tomou conta da Bienal inspirando Alan Devon, parceiro de Danto e Dickie na Teoria do Sublime Contemporâneo, a fazer uma declaração sobre a obra da artista. Devon colocou Maria de Castro como uma das mais corajosas artistas de sua geração já que conseguira fazer com que toda a Bienal se transformasse na metáfora do conceito no qual a “Art Stinks”, ou a arte fede. Proclamada como um gênio pela crítica e pela imprensa mundial, Castro entra em desespero. Sua intenção não só não havia sido compreendida como, através da reação aos efeitos de sua obra, começa a entender que a arte contemporânea não tem sentido: se mesmo o “defeito” pode ser arte então não vale a pena o esforço para a construção do “efeito”. Desencantada e em depressão, Maria de Castro abandona a arte contemporânea e volta seus esforços para a pintura em aquarela de um ponto de vista figurativo. Transforma a “Casa das Burras n’Água” em um ateliê de pintura iniciando assim um extenso trabalho figurativo que se consubstancia em marinas etéreas do litoral de Portugal. Conhece Guati Rojo, presidente da Associação Mundial de Aquarela, a qual se associa participando de várias exposições internacionais nessa linguagem. Visita o Brasil em 2003 para participar do Congresso e da Quadrienal Internacional de Aquarela onde se Associa Também ao Núcleo de Aquarelistas Paulistas. Atualmente, incentivada pelo artista plástico e pesquisador Ricardo Hage, ensaia uma volta à arte conceitual na Labor III.