Blog Ricardo Hage.com
Leon Kossovitch vai estar na
Santa Marcelina durante o mês de setembro. Vai falar sobre história da arte para o Departamento de Artes Plásticas. Pra falar a verdade não sei se os eventos são abertos mas resolvi divulgar por aqui. E o Leon é muito engraçado: viu a minha aquarela "Estudo Atmosférico" na Quadrienal de Aquarela do ano passado e só se referia a mim como "o aquarelista". Tudo bem, sou mesmo, mas não profissionalmente. É uma espécie de terapia.
A programação das palestras é a seguinte:
13 de setembro – 19h
“A História da Arte a partir do século XIX – não houve História da Arte antes”
20 de setembro – 19h
“História da Arte – a história das Artes e as doutrinas de Artes: as discussões em História das Artes”
27 de setembro – 19h
“As Artes na antiguidade greco-romana e sua retomada nas doutrinas do Renascimento Italiano”
Esqueci de dizer que fui convidado por Davi D'Andréa Baccan, do LINCOM - Laboratório de Interação, Comunicação e Mídia da Divisão de Ciência da Computação do ITA, para participar da Oficina "Designing Interfaces for Interactive Television" a ser realizada durante o VI Simpósio sobre Fatores Humanos em Sistemas Computacionais. O evento vai acontecer em outubro em Curitiba. Infelizmente não vou poder participar, vou estar em pleno processo de produção dos projetos de mestrado em artes visuais na FASM. É pena, mas Davi prometeu que iria me manter informado sobre os resultados do encontro e vamos tentar manter contato.
Acabo de chegar da minha primeira aula de Metodologia da Pesquisa em Arte para o Mestrado FASM e recebo um email da Diva Spezia Ranghetti lá de Santa Catarina. Ela é integrante do GEPI/PUC a vários anos e conversamos muito sobre a questão do design de currículo na Interdisciplinaridade. Ela mandou um artigo sobre estética e design de currículo para que eu desse um parecer. Parece bem interessante. Vou ver se leio no final de semana. Desse jeito não vou conseguir dormir nadinha...
Preparando minhas aulas para o mestrado acabei fazendo uma coisa que andava adiando desde 1999: juntar a justificativa teórica ao projeto de pesquisa que fiz para os Simpósios de Pesquisa do Masseto no programa de Educação: Currículo da PUC/SP. Pois é, esse projeto é famoso, é o mesmo que andou circulando pelo mestrado em Educação, Arte e Cultura do Mackenzie. E ainda anda circulando. Ivani Fazenda indicou esse projeto como exemplo para o pessoal da Interdisciplinaridade e do GEPI. Também, junto com a Ecleide Furlanetto, andou levando o projeto para o mestrado da UNICID. Eu passei o arquivo pra Raquel Miranda repassar para o grupo mas só agora notei que ele estava capenga. Deixe-me explicar: na época em que fiz esse projeto Masseto e Antonio Chizzotti dividiam a responsabilidade pela capacitação em metodologia de pesquisa aos alunos do mestrado em Educação. Masseto nos ensinava a organizar os aspectos práticos e de composição do projeto enquanto Chizzotti nos fundamentava em relação aos aspectos metodológicos da pesquisa. Produzíamos para cada professor partes do projeto que depois poderiam ser unidas. E foi isso que eu nunca havia feito.Como preciso usar com meus alunos do mestrado um exemplo de projeto (eu sou o professor de Metodologia da Pesquisa em Arte) fui atrás do projeto, achei a justificativa teórica e montei enfim o arquivo completo.
E, apesar de estar meio antigo, ele ainda tem sustância, hehehe.
Quando eu disponibilizar o projeto no site aviso a todos.
Uma certa vez Mirtes Marins falou que eu me comportava como um homem do século XIX. Ela estava querendo fazer uma metáfora da forma como eu me relaciono com o conhecimento, um modus operandi que me obriga a me tornar “cientista” para atuar na arte tecnológica. Essa metáfora pegou mal, já que algumas pessoas (que nada sabem de história) entenderam-na como uma critica e começaram a usa-la com desdém: “Ah, lá vai o renascentista…”. Confundindo Romantismo com Renascimento começaram a me olhar como se eu quisesse ser Leonardo ou um pintor acadêmico. Quando Mirtes percebeu o que acontecia deixou de usar essa referencia mas, vira e mexe, alguém acaba se lembrando dela de novo. Essa questão foi importante quando desenvolvi um conceito inovador dentro da pesquisa em Interdisciplinaridade, a categoria do Erudito Interdisciplinar. Publicado em “A Academia vai a Escola” (livro organizado por Ivani Fazenda) e melhor desenvolvido em minha tese de doutoramento, o conceito do Erudito Interdisciplinar é uma metáfora avançada fundamentada na reflexão sobre esse meu certo “renascimentismo”. Já que estou querendo centrar a discussão de hoje somente na questão visual é melhor sair um pouco da teoria e ir à práxis artística, ou seja, como é que eu, à luz de tudo isso, produzo arte contemporânea?
No fundo tenho uma certa admiração pelo academicismo. Bem que eu gostaria de ter a paciência e o empenho de um Dali, para dar um exemplo de alguém mais próximo a nossos tempos e que trabalhava “academicamente”. Eu adoraria poder pintar de maneira fotográfica para construir idéias visuais sem precisar de produção complexa nem uma grande equipe, caso dos vídeos de Matthew Barney. A questão não é financeira, já que penso poder ser capaz de construir um projeto e ir atras de financiamento. Apesar das dificuldades existem instituições nacionais e internacionais que ainda se dispõem a financiar projetos de pesquisa em artes visuais desde que o projeto seja coerente e inteligível. Meu problema é sobre o controle da construção das visualidades, o poder compartilhado com aquele que me ajudaria a construir uma video arte “complexa”. Mesmo em projetos rigidamente controlados a participação de pessoal técnico científico na construção de uma obra de arte tecnológica é visível. Questões técnicas muitas vezes impossibilitam que uma idéia deixe a mente do artista para que possa se transformar em imagem, dados, software e interatividade. Em meu trabalho eu sempre inicio a reflexão a partir das tecnologias que eu mesmo implemento, estudo ou desenvolvo. Por exemplo, é a partir de meus primeiros estudos em vetorização de imagens que eu comecei a discutir as questões do Pop e do NeoPop na arte, e não o contrário. Construí a série de retratos “CyberDivas” como suporte para essa reflexão. Também foi a partir dos meus estudos sobre a qualidade da imagem digital, ainda nos tempos de minha Casio QV-10, que desenvolvi minhas reflexões sobre o sublime contemporâneo como corrente estética. Dada a péssima qualidade das imagens digitais disponíveis na época investi meus esforços nos aspectos clássicos da construção da imagem como a composição, a harmonia e a seleção de cores para produzir fotografias e vídeos que superassem essa condição. Esse tipo de reflexão aparece claramente na video poesia “Noturno Paulistano”, construída unicamente sobre imagens distorcidas pelo zoom digital da câmera.
Nessa semana em que iniciamos o Mestrado em Artes Visuais da FASM vou deixar isso bem claro para meus orientandos, não no sentido de tolher os seus trabalhos individuais e formata-los à minha imagem, mas sim no sentido de que eles possam entender a lógica que preside a maneira como produzo e pesquiso em artes visuais. Só assim eles terão segurança para começar suas pesquisas com esse doido varrido em que estou me tornando.