Sobre a ocupação do Paço das Artes
Acho que ainda é muito cedo para ter uma opinião formada sobre a experiência de ocupação do Paço das Artes mas, após ler um e-mail que recebi de Marly de Menezes resolvi iniciar uma discussão. Marly me informa sobre seu desconforto em relação à idéia da ocupação. Na realidade, como doutoranda em arquitetura, Marly desvela em seu questionamento as questões da arquitetura em relação a trabalhos que modificam um espaço já ordenado. Pois é, do ponto de vista da arquitetura um espaço projetado não só tem autoria como também pode ser considerado uma obra de arte. Essa questão é complexa dado que muitas vezes o trabalho do artista impõe-se arrogantemente sobre o espaço arquitetônico em trabalhos site specific. Será que, da mesma forma que o arquiteto pode fazer arte, o artista plástico poderia fazer arquitetura?
Quanto à ocupação do Paço das Artes em si, Marly coloca a questão de que o espaço parecia vazio e habitado ao mesmo tempo. É interessante notar como, talvez, a ocupação tenha se dado nos espaços vazios e na ausência. No meu caso essa ausência só se faria notar dada a virtualidade da minha ocupação. Meu trabalho só estava presente no
SiteEspecífico.org, coisa que por si só já me faria presente. Mas não fazia...
Acho que a síndrome do vernissage ainda nos persegue!