Gente, acabei de receber um email da Vanessa Marques, minha ex-orientanda de artes plásticas lá no Santa Marcelina. Aquele texto sobre a brutalização da sociedade fez ela pensar:
" ... me deparei com seu texto sobre o bebê que morreu de pneumonia dupla, a brutalização da sociedade e consequentemente da arte. E tudo o que eu estava pensando veio de encontro com o que você escreveu....estava ponderando sobre o fato de achar que todo ser humano nasce pre-disposto, ou sensível, ou ainda com potencialidades relacionadas a expressão artística, seja lá qual for a linguagem escolhida...tenho observado muito meus alunos que são moradores de favela, em sua maioria quase que absoluta, e sua noção de composição, observação e capacidade de criação... eles nem haviam frequentado escola... e de repente crianças com tres anos tem sua propria tradução pra retratar graficamente um helicóptero, bicicleta, avião, enfim, para qualquer objeto que observa, compõe no campo visual sem nunca ter ouvido falar de composição ou coisa parecida..."
Pois é, Vanessa me inspirou a escrever um pouco sobre a relação que existe entre cognição, genética e influências culturais. Posso adiantar que não acredito que a genética defina nossas preferências estéticas e formais mas certamente define a forma como nossas funções cognitivas funcionam abrindo a possibilidade de que, mesmo sem instrução formal, possamos perceber e entender a informação cultural que nos cerca desde muito cedo.
Vou desenvolver um pouco mellhor essa argumentação e depois publico por aqui...