Blog Ricardo Hage.com
Leda Catunda ligou hoje pela manhã. Queria marcar comigo e com o Ermelindo Nardin uma reunião da comissão dos professores do Mestrado em Produção, Teoria e Crítica em Artes Visuais para o II Seminário de Pesquisa em Arte FASM, que deverá acontecer em Novembro. Nosso papel vai ser orientar o processo de apresentação das pesquisas produzidas pelos professores do programa, já que a produção e a administração do evento estão sendo feitos integralmente pelos orientandos do mestrado em Artes Visuais. Eu já me pronunciei: junto com meu Núcleo de Pesquisa (Arte, Tecnologia e Interdisciplinaridade) vou promover uma mesa redonda entre várias "Marias de Castro", meu famoso heterônimo ou melhor, personagem específico (quem quiser conhecer melhor Maria de Castro visite o
SiteEspecifico.org). Para fazer a performance vamos convidar várias personalidades do ArtWorld paulistano. Só não vou divulgar os nomes ainda porquê, por vergonha (hehehe), não convidei ninguém. E vai ser besta assim na China: algumas dessas pessoas se auto convidaram... E eu vou ter vergonha de quê?
Coisas de Ricardo...
Acabei de saber que o site do FILE - Forum internacional de linguagens Eletrônicas, já está com a programação deste ano online. O endereço é
http://www.file.org.br/file2005. Aliás vou ter uma reunião na próxima semana com Paula Periscinoto, uma das organizadoras do evento, e com Carol Toledo. Vou informar a elas, professoras d a FASM, os novos rumos do projeto do Núcleo de Arte e Tecnologia da Santa Marcelina, grupo do qual sou coordenador de pesquisa. Não posso adiantar por aqui essas novidades mas vão ser notícias bem interessantes.
Uma certa vez disse a Manolo Vilches que na minha lápide gostaria que fosse inscrita a seguinte frase""teria feito mais se não fosse tão depressivo". Ele argumentou que na realidade a frase deveria ser "Fez até demais para quem tinha depressão". O que ele estava querendo dizer é que, pelo volume de coisas que faço, não poderia ter depressão. Na realidade não sei se tenho depressão e nunca fui clinicamente diagnosticado. O que sei é que na atual realidade brasileira não sentir-se deprimido talvez seja, isso sim, um sintoma psiquiátrico. Vivemos no que chamo de "sistema do não". A justificativa quase positivista de que tudo na vida brasileira deve ser regulamentado acaba por atribuir pequenos poderes a pessoas que determinam espaços, lugares e situações. Daí para que esses regulamentos sociais sejam usados para o impedimento das iniciativas pessoais é um passo. E o pior é que, no Brasil, tanto o pensamento de esquerda quanto o de direita promovem essa situação. Os ditos discursos progressistas são tão promotores de um "status quo" quanto os discursos conservadores. No caso das artes, área normalmente associada aos discursos progressistas, vemos essa situação o tempo todo. É muito interessante a reclamação dos alunos de artes em relação a participação de seus professores em concursos e salões. É muito comum também ver a premiação de artistas consagrados ou de colegas dos integrantes das comissões de seleção nessas premiações. Bem, me parece que essa prática tem começado a incomodar demais. Os artistas, principalmente os mais jovens ou iniciantes, tem se questionado muito sobre a utilidade de participar do circuito já estabelecido. Algumas iniciativas como as exposições Labor, montadas exatamente por gente jovem de fora do circuito, bem como o
SiteEspecífico.org, começam a colocar em xeque esse estado de coisas. Eu mesmo tenho estudado o assunto em meu projeto Maria de Castro, uma persoangem artista que funciona como ferramenta de pesquisa na investigação do conceito de "ArtWorld". De qualquer maneira como todo bom "deprimido" ainda não vejo uma luz no fim do túnel. E olha que eu até me considero otimista...