E depois de mais de um mês sem postar nada aqui...
Eu estava fazendo um upload de um arquivo importante, prestes a fazer um upgrade de sistema no meu MacMini, quando resolvi abrir o iTunes e ouvir alguma música para passar o tempo (o arquivo tem 30 megas…) Rapidamente dei de cara com uma música muito bonita do Alan Parsosn, chama-se Ignorance Is a Bliss. Esse título sempre me intrigou e, enquanto ouvia a música, resolvi abrir o dicionário do Mac e procurar pela palavra bliss. Bliss significa algo como felicidade perfeita, um estado de completa felicidade, talvez só Possível após a morte.
Nossa, isso me intrigou profundamente. Resolvi entrar no Google e fiz uma busca com essa frase.
Para meu espanto, em vez da música do Alan Parsons, dei de cara com uma série de sites relacionados a filosofia. Um dos links que mais me interessou foi a de um tal de
philosophistry.com, no entanto não consegui acessar esse site diretamente, parecia que a página não existia mais. Como estava interessado resolvi dar uma olhada no cache do Google e consegui ver o conteúdo do site. E dei de cara com um blog onde um tal de Philip Dhingra (indiano?) fazia algumas colocações maravilhosas. O título de seu texto era, traduzindo, “Se ignorância é felicidade, o que os intelectuais devem fazer?”.
Sim, a questão é central para qualquer um envolvido em qualquer trabalho intelectual artístico e científico ou, simplesmente, para qualquer brasileiro imerso na era Lula.
Há algum tempo tenho dito que se pudesse voltar no tempo talvez não tivesse “gasto” vinte anos da minha vida estudando. Sim, quanto mais alargamos nossas possibilidades de leitura da realidade de alguma maneira mais sofrimento sentimos diante da impotência que essa mesma realidade nos impõe. Ao mesmo tempo a inversão de valores que nossa sociedade impôs as relações entre conhecimento e dinheiro acaba potencializando essa sensação de impotência e, como resultados, acabamos tendo nossa auto-estima atropelada e obliterada por completo. A sensação, para um trabalhador intelectual (artístico ou científico, repito), de que seu trabalho, sua existência mesmo, não tem valor nem sentido é a de uma infelicidade lancinante.
Acho que é por isso que nos últimos meses tenho escrito tão pouco neste blog. Afinal, para que inundar meus leitores com essa sensação? Já não basta, mesmo que tentando esconde-la ao máximo, deixar essas emoções serem percebidas por meus alunos?
Bem, a página que encontrei na internet me deu algum alento. Dhingra coloca algumas proposições para que possamos enfrentar a solapante conclusão de que só a ignorância propicia a felicidade perfeita. E como sou medianamente ignorante (sei lá se esse Dhingra não é famoso, se essa questão da “ignorance is a bliss” não é pré-socrática, se o meu problema não está mais para Darwin, etc) vou tentar explora nos meus próximos posts as possibilidades de transcendência dessa situação.
Quem quiser visite o texto de
Dhingra e tente me acompanhar nessa viagem…