Agora pouco eu estava escutando "Adios Nonino" de Piazzola quando resolvi procurar na Wikipedia algo sobre a música: fiquei perplexo. A música havia sido composta logo após a morte do pai de Piazzola, conhecido como Nonino. Isto explica a incrível carga dramática desse "jazz-tango".
Mas o que me chamou mais a atenção foi outra situação: no início do ano viajei a Buenos Aires. Lá filmei algumas cenas do que depois viria a constituir parte de meu video "A Máquina de Arte". Esse era um momento muito importante pois vivia uma certa tensão em meu grupo de amigos e pensei o video de maneira leve, até mesmo marota, como que tentando combater aquele clima. Como queria que o trabalho apresentasse em alguns momentos uma sonoridade significativa da Argentina reformulei alguns trechos de "Adios Nonino" e apliquei no video.
Agora, entendendo um pouco a história dessa música, percebi que novamente produzo em meus trabalhos metáforas em várias camadas: mesmo que eu tente metaforizar racionalizadamente situaçòes e impressões pessoais, sempre há em meu trabalho uma camada profunda que fala por si e que, mesmo que censurada por mim, se revela a um olhar mais apurado. "Adios Nonino" é a trilha sonora de uma dor profunda pela perda de algo amado e que em meu video torna-se metáfora de uma tragicomédia.
Interessante... ao longo dos anos, como artista, torno-me cada vez mais transparente...