Hoje aconteceu uma situação típica da minha maneira de pensar...
Há duas semanas atrás Chris Mello, professora do Mestrado em Artes Visuais FASM, pediu a nós, colegas do programa, que escrevessemos um parágrafo sobre a questão da memória.
Eu esqueci...
Hoje (ontem), durante uma orientação, minha aluna Claudia Duzzi perguntou sobre a questão da memória. Imediatamente lembrei do pedido da Chris e começamos a conversar sobre o assunto. A orientação enveredou por outras questões e acabamos esquecendo da memória.
Já em casa, durante o banho, a água quente me ajudou a lembrar da questão e pensando sobre o assunto cheguei a uma conclusão: para mim a memória é esquecimento!
Pois é, eu tenho um grande problema com a memória. Minha memoria sempre foi "fraca". Na escola, durante fases decorativas, sempre sofri. A tabuada até hoje não decorei. As lembranças de minha infância e adolescência são desbotadas e difusas. A memória de minha idade adulta também, não consigo me lembrar sequer do que almoçei no dia anterior.
Essa falta de memória fez com que a questão da memória fosse muito importante para mim.
Utilizo agendas a muito tempo e desde 1997 registro meus compromissos em equipamentos do tipo Palm. Tenho todos os registros desses dez anos de vida e trabalho em formato digital. Esses dados estão protegidos e distribuídos através do serviço ".Mac" da Apple onde sincronizo multiplos computadores com meus contatos e agenda pessoal.
Tenho a maior parte de meus arquivos de imagem e texto gravados em CDs e DVDs; todos meus emails desde 2003 estão armazendos; minhas aquarelas registradas e arquivadas em pastas; meus cadernos de artista estão preservados; enfim, se a minha mente não mantém a memória utilizo artifícios externos para que a memória de minhas reflexões e produções não se perca.
Voltando ao banho, fiquei petrificado com a descoberta.
Meus desespero não se dava pela constatação que havia feito mas sim pelo medo de esquecer essa reflexão antes do banho acabar!
Eu precisava sair do banho e fazer algum tipo de registro. Fiquei repetindo como mantra "memória é esquecimento" até sair do banho e pegar o primeiro equipamento de registro que me apareceu pela frente: a camera fotográfica digital em modo de gravação de som.
Pois é, algumas pessoas acham que eu sou eficiente e organizado. Na realidade sou desmemoriado, hehehe.
Se eu me lembrar, juro que escreverei sobre os autores que falaram de ausência da memória. Se bem me recordo (piada, né?) Heidegger falou algo a respeito. Na Interdisciplinaridade estudamos a memória já há algum tempo, principalmente durante as conversas entre Fazenda e Nóvoa sobre a questão do registro de vida.
Mesmo tendo estudado o assunto foi só a aflição do banho que me fez despertar para essa reflexão pessoal: entendo a memória antes de tudo como esquecimento...