Hoje foi meu último dia de aula como substituto de Iole Di Natale na disciplina de aquarela na FASM.
Essa foi uma experiência muito importante para mim. Em aquarela eu havia apenas trabalhado com aulas particulares em meu ateliê, nunca havia sido professor em uma linguagem mais convencional dentro da universidade (normalmente trabalho com as disciplinas de arte e tecnologia).
Pois bem , não há coisa mais interdisciplinar que lecionar linguagens artísticas distantes entre si mas que, na realidade, revelam processos criativos sinilares. Essa similaridade aproxima também o funcionamento de seus processos pedagógicos.
Alguns exemplos são gritantes.
O aluno tem tanto medo do papel em branco quanto da "tela"de computador em branco. Iniciar um projeto artístico pessoal é dificil tanto em aquarela quanto no Corel Painter. O professor deve estar atento à condução da superação do bloqueio por parte do aluno e estar preparado para, a partir de seu mundo-vida, incentivar sua produção.
Os alunos, principalmente adolescentes, vão se interessar pela disciplina de várias maneiras. Não é porquê todos são jovens que todos estabelecerão uma relação satisfatória com o computador. Alunos mais identificados com linguagens acadêmicas (que gostam de pintura de natureza morta, por exemplo) também podem não se dar bem com pigmento em meio aquoso, caso da aquarela.
Como já afirmei em minha tese de doutorado não creio que haja diferenças fundamentais no ensino de linguagens artísticas a não ser o fato de que os professores, como seres humanos, são diferentes.
Agora, que dar aula de pintura é muito gostoso, é!