Pensei em comentar um pouco o fechamento de alguns eventos do Motomix no MuBE e no MIS.
Eu junto com o coletivo Electrohipnose estivemos a alguns meses em contato com o MIS para ver se era possível sediar a mostra anual do grupo por lá. Estava quase tudo certo mas aí notamos que o processo parecia emperrado e desistimos do espaço.
A pouco tempo houve a denúncia de desvio do dinheiro pago por eventos comerciais arrecadado pelas instituições e agora surge essa questão de falta de alvará dos espaços para a exibição dos eventos.
Pode-se argumentar que um evento de arte eletrônica, nas palavras de Lucas Bambozzi, curador do Motomix, seja "uma experiência de fusão entre a arte digital e cultura da música eletrônica" e a partir daí elaborar um discurso que legitime este tipo de evento em um espaço voltado para "exposições" no sentido acadêmico da coisa, mas eu acho que está na hora desse tipo de evento tomar alguns cuidados.
Em primeiro lugar penso que artistas envolvidos nesse tipo de exibição precisam sim pedir garantias de que ele será realizado dentro da lei ou sem a possibilidade de criar problemas de ordem legal. É seu nome que está em jogo. Entender o sistema de alvarás e fazer propostas de alteração da legislação é muito importante para um campo de expressão artística em mutação.
Acredito também que é precisso forçar os departamentos de marketing de empresas patrocinadoras de eventos artísticos a entender a idéia de conceito, a importância da trajetória artística e o sentido da arte tecnológica no mundo contemporâneo. Caso contrário corremos o risco de termos nosso trabalho utilizado como "adorno".
Não sou ingênuo nem comunista, hehehe, mas penso que já está na hora de pensarmos de maneira mais estratégica no campo das artes tecnológicas.