Sabe, tem coisas que eu acho muito engraçadas...
Tenho uma aluna meio em crise porquê ela tem que se fixar em um linha de pesquisa no Mestrado em Artes Visuais da
FASM e ela não consegue escolher qual. O orientador que vai trabalhar com ela vai ser definido a partir daí.
Eu particularmente nunca escolhi orientador assim. Na realidade ou eu escolhia um orientador determinado e ia atrás dele para pedir orientação ou então eu era orientado por quem estava dsiponível e me aceitava. Vocês podem achar isso uma bobagem ou a demonstração de uma falta de foco profissional mas sempre achei que a experiência pessoal de um orientador é mais importante que sua linha de pesquisa. Pensar assim é demonstrar uma atitude interdisciplinar, onde as pessoas são mais importantes que as linhas de pesquisa onde atuam.
Isso me lembra novamente da fala do Japiassu!
Ele disse que a coisa mais chata que existe é ficar limitado a uma linha de pesquisa dentro de um departamento qualquer de um universidade. Como é que ele poderia exercitar a vontade pessoal de estar aberto ao mundo, de explorar tudo que é possível no campo filosófico (ele é filósofo, lembram?).
É interessante que isso aconteça no campo de pesquisa das artes também, onde o nome do artista é muito importante.
Quantos alunos já conheci que escolhiam orientadores-artistas pela possibilidade de agregação de valor e transferência de legitimação entre professor e aluno?
É a idéia de que um professor-artista famoso empurra o aluno para o sucesso!
Pode até ser, não nego (e eu mesmo tive orientadores famosos), mas isso não é determinante, pois a questão principal ainda está com o aluno: como é que ele vai gerenciar sua pesquisa e sua carreira?
Acho que a questão preponderante na escolha de um orientador de pesquisa para um mestrado (sejá lá em que área for) não é da especificidade da linha de pesquisa (no nosso caso artística) mas sim de caráter educacional: esse orientador sabe orientar?
É aí que a coisa pega. Tenho visto muitos casos de orientadores que são ótimos pesquisadores,artistas, profissionais, etc, mas que não sabem orientar, não fazem a mínima ídéia do que é isso e que fazem um estrago enorme na vida dos alunos e nas suas próprias vidas. Uma relação orientador-orientando doentia é um passo para a loucura, hehehe.
É...é por isso que prego que todo programa de mestrado e doutorado tenham alguma disciplina voltada para a questão da orientação. Sei que isso não só não é exigido pela CAPES, como também sei da dificuldade de legitimação dessa proposta, mas pelo menos estou falando...
Sei também que essa proposta pode acabar como a que criou as disciplinas de metodologia de pesquisa e que, muitas vezes, só fazem parte dos programas para dizer que existem, pois a tarefa de ensinar a idéia de método acaba ficando sempre para o orientador. No entanto penso que a questão aqui é diferente pois se o orientador é pesquisador ele obrigatóriamente sabe o que é metodologia (ingenuidade minha?). Já no caso da questão da orientação não posso ficar esperando que um pesquisador de fora da área da educação tenha formação pedagógica.
Acho até que depois do curso de Ficção Científica que vou fazer na FASM poderia propôr um curso de extensão sobre orientação de pesquisa...É uma boa idéia.