Deu no
Uol DIversão e Arte: Marcelo Cidade, Superflex e Zamora têm obras vetadas na Bienal.
Pois bem, Marcelo cidade ia instalar bloqueadores de celular em todo pavilhão da Bienal, o grupo Superflex ia distribuir um produto chamado Guaraná Power e o Zamorra ia colocar aguapés no lago do Ibirapuera.
Pois bem, existem duas formas de ler essas situação.
A primeira forma é a forma conservadora, aquele olhar do pintor acadêmico que existe dentro de todos nós. Para esse olhar estes artistas são uns loucos, insanos, e afinal essas propostas não teriam nada de "artístico"!
A segunda forma de olhar é através de um viés "contemporaneo": essas propostas são relevantes, discutem a realidade e colocam a sociedade e os sistemas em xeque...
Será?
A partir de um olhar interdisciplinar, que prega que não devemos nem ir tanto ao mar nem tanto à terra, podemos analisar as três situações separadamente.
A proposta de Marcelo Cidade me chamou muita a atenção. É um trabalho que discute desde a questão do uso de celulares nos presídios, controlando a criminalidade aqui fora, até a aceitação social de que todos nós, ricos ou pobres, cultos ou analfabetos, estamos disponíveis o tempo todo e em qualquer lugar. Criar um bloqueio de celulares na Bienal seria quase que como voltar a idade da pedra. Pessoas sairiam do pavilhão só para usar o celular da mesma maneira como fumantes precisam ir para uma área específica resolver seu vício.
É, nem sei o quão profundamente o artista foi na reflexão da metáfora que seu trabalho encarna, mas dá pano pra manga.
E o engraçado é que muitos de meus alunos conhecem pessoalmente o Cidade e eu não, mas também eu não faço parte do circuito, né... Sou um celular bloqueado, hehehe.
Bem, quanto ao Zamorra, juro que não entendi bem ou talvez a descrição que a matéria faz do seu trabalho não seja das melhores. Me pareceu que a intervenção no lago do Ibirapuera era apenas parte de seu projeto.
Não entendi também se o video feito com Lucia Koch (essa eu conheci na FASM) e Marilá Dardot já faziam parte do projeto ou foi uma forma de protesto criada depois do proibição.
Talvez fosse o caso do artista se pronunciar novamente, sei lá...
(para artistas participantes da Bienal deve ser fácil conseguir um espacinho para protestos nos cadernos de cultura de nossos jornais, hehehe)
Ah, e os dinamarqueses do Superflex?
Eu entendo muito bem o problema deles. Muitas vezes meus trabalhos esbarraram no mesmo problema. O que já percebi é que, no caso de trabalhos artísticos que criam discussões sobre marcas, produtos e mesmo idéias estabelecidas por grupos hegemônicos, a comunidade artística (os colegas) começam a botar medo na gente.
É, por incrível que pareça são os próprios componentes do ArtWorld, gente que por definição deveria entender e dar legitimação ao trabalho do artista de forma esclarecida, que acabam criando e divulgando discursos que minam a legitimidade de obras questionadoras (ou sacarsticas). Desse jeito Duchamp nunca conseguiria exibir sua "fonte" hoje em dia. (PS. Vcs sabiam que "fountain" era um apelido para Mictório no início do século na Inglaterra? Basta ler Bernard Shawn... entenderam o que quis dizer, né?)
Well, quando fiz as gravuras digitais da série "Moças do Leite Moça" muita gente veio me dizer que eu poderia ser processado pelo uso daquela imagem, mas, ora bolas, ela (a moça) estava sendo aposentada e eu resolvi eternizar o meu carinho por aquela figura histórica (a moça do leite moça) em algum tipo de trabalho.
Pois bem, criei uma série de moças modificando traços e cor da pele, criando moças étnicas. Uma delas ficou muito boa, a moça japonesa, hehehe.
E para piorar a situação expus as gravuras digitais em uma das exposições da Labor.
E o que aconteceu?
Alguns meses depois a propaganda do leite moça aparece com moças de tudo quanto é raça. Tinha até moça sexy...
E eu, não processei ninguém...entenderam?
É, e para terminar, o presidente da Bienal disse que pessoalmente acha a proposta do Superflex de mau gosto...
Bem, se ele pode falar em gosto, então eu vou voltar a usar apenas Baungartem como referência de estética.
Se o presidente da Bienal disse isso então posso afirmar que estética não é nada mais, nada menos, do quê apenas o "discurso do gosto".
Cruzes!
PS2: Acho até que se o pessoal tivesse pedido um patrocímio para a marca mais "povão" desse produto (não falo o nome dessa marca para não correr o risco de ser processado, mas vocês conhecem) eles topavam. É uma marca guerilheira, hehehe.