Ontem foi comemorado o dia dos professores e uma coisa me chamou a atenção: ninguém deu bola para a comemoração.
É sério, nos meios de comunicação foi dado maior destaque ao dia das secretárias ou ao dia do amigo que ao dia dos professores. Não é que eu tenha algo contra secretárias ou amigos mas esse é um sintoma interessante.
Nesse embate eleitoral pelo segundo turno para a presidência da república muito se tem falado da necessidade de um ensino de melhor qualidade, revalorização do professor, etc, etc, etc, mas o pouco caso dado ao dia dos professores é mais uma mostra do pouco interesse que a sociedade brasileira tem pelo ensino.
Aliás, acredito que a sociedade como um todo, e em todas as suas classes, está de modo cartorial apenas interessada em diplomas, e não no conhecimento e habilidades que esse pedaço de papel significariam.
Se não há um real desejo de crescimento pessoal via conhecimento no cerne da sociedade brasileira é impossível que a educação saia das condições de indigência na qual ela se afundou.
Mesmo em algumas escolas particulares e voltadas para a elite econômica (que no Brasil são dissociadas da elite cultural) o desconhecimento de coisas básicas no ensino por parte de alunos e mesmo professores é impressionante. Questões geográficas simples, cálculos básicos, gramática e, principalmente, compreensão de leitura são na maior parte das vezes desconhecidas.
Um exemplo gritante das dificuldades que uma massa de cidadãos literalmente analfabetos cria a uma sociedade economicamente emergente tem aparecido nas empresas de telemarketing: por incrível que pareça elas conseguem aproveitar apenas 10% dos canditados à vagas de atendente de telemarketing pois estes mal conseguem se comunicar e muito menos ler os roteiros pré-fixados de atendimento.
Já tive que utilizar atendimento telefônico em algumas empresas no Estados Unidos e na Inglaterra e o que mais me chamou a atenção não foi a rapidez com que fui atendido por alguém (equivalente ao que ocorre aqui) nem a sofisticação dos menus sonoros (os nossos são melhores), mas com o fato de que o atendente conseguia compreender rapidamente o que eu queria (e olhe que eu nem falo inglês tão bem assim, a não ser que esteja bebado, hehehe).
O mais impressionante é que provavelmente eu estivesse falando com um indiano. Sim, a Índia tem uma qualidade de ensino muito superior a nossa, mesmo com seus problemas sociais e demográficos.
E a arte nessa história toda?
Bem, como é que você quer que um "popular" , com seu nível de cognição e compreensão do mundo (que a escola deveria dar), entanda a Bienal de Artes de São Paulo?
Como coisa de gente doida e que não tem que trabalhar para viver, né...
Pois é, todos os aspectos da vida no Brasil, o que inclue a possibilidade de crescimento econômico, são condicionadas pelo nosso problema educacional.
Enquanto a sociedade não quiser um ensino de "excelente" qualidade, vai ser essa a vida que nós vamos continuar levando.