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Artes Visuais, Interdisciplinaridade e Ensino

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Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

 
E continuando a discutir a superação da questão do “IGNORANCE IS A BLISS” com os “postulados” de Dhingra:

Postulado nº1 - Ninguém jamais entenderá você completamente…

Há pouco tempo atras dei uma entrevista ao programa do Otávio Mesquita por conta do lançamento do DVD ElectroHipnose.
Pois bem, falei um monte. Falei sobre as relações de meu video com a questão do sublime contemporâneo, com as questões da nova estética, que o video é fruto de minhas pesquisas no Núcleo de Arte e Tecnologia da Santa Marcelina, que trabalho esse tipo de pesquisa como professor do Mestrado em Produção, Teoria e Critica em Artes Visuais lá da FASM, etc…
E o que saiu no video? Uma edição de primeira, pegou até o meu melhor ângulo e explorou meu video ao máximo (Dos Ares à Noite, 2005)…só que minha fala dura alguns segundos e limita-se ao momento em que falo da transcendência criada pelo video no observador.
Tudo bem, eu não estava sendo entrevistado no Roda Viva, mas a gente que faz algum trabalho intelectual acaba um pouco decepcionado. No entanto, para tentar compreender essa situação, me pergunto por quê aquelas coisas tão imateriais que a gente pensa e produz interessariam a alguém que esteja fora do sistema acadêmico?
E tem mais: se mesmo dentro da academia os colegas acabam por não entender minhas reflexões porque deveria sentir que fora dela as pessoas também deveriam entende-las completamente.
Bobagem… quando deixamos de ter veleidades intelectuais ou artísticas deixamos de nos decepcionar pela reação (ou não reação) do público. Ninguém nunca vai compreender nossa produção completamente e portanto não será em todos os “fóruns” (agora virou moda esse termo) que seremos festejados.
As vezes também sinto a sensação que nenhum “fórum” me compreende. Bem, vai ver que meu trabalho não é grande coisa, ou talvez (prefiro pensar assim) seja tão radicalmente diferente que não haja ainda espaços onde ele possa ser compreendido.
E então é o momento de criarmos nossos próprios grupos de discussão.
Uma das perguntas que vou fazer para meu grupo de pesquisas esse ano é sobre meu trabalho: afinal, o que eles acham da minha produção artística e intelectual.
Quer saber, acho que não acham nada, hehehe.

 
E depois de mais de um mês sem postar nada aqui...

Eu estava fazendo um upload de um arquivo importante, prestes a fazer um upgrade de sistema no meu MacMini, quando resolvi abrir o iTunes e ouvir alguma música para passar o tempo (o arquivo tem 30 megas…) Rapidamente dei de cara com uma música muito bonita do Alan Parsosn, chama-se Ignorance Is a Bliss. Esse título sempre me intrigou e, enquanto ouvia a música, resolvi abrir o dicionário do Mac e procurar pela palavra bliss. Bliss significa algo como felicidade perfeita, um estado de completa felicidade, talvez só Possível após a morte.
Nossa, isso me intrigou profundamente. Resolvi entrar no Google e fiz uma busca com essa frase.
Para meu espanto, em vez da música do Alan Parsons, dei de cara com uma série de sites relacionados a filosofia. Um dos links que mais me interessou foi a de um tal de philosophistry.com, no entanto não consegui acessar esse site diretamente, parecia que a página não existia mais. Como estava interessado resolvi dar uma olhada no cache do Google e consegui ver o conteúdo do site. E dei de cara com um blog onde um tal de Philip Dhingra (indiano?) fazia algumas colocações maravilhosas. O título de seu texto era, traduzindo, “Se ignorância é felicidade, o que os intelectuais devem fazer?”.
Sim, a questão é central para qualquer um envolvido em qualquer trabalho intelectual artístico e científico ou, simplesmente, para qualquer brasileiro imerso na era Lula.
Há algum tempo tenho dito que se pudesse voltar no tempo talvez não tivesse “gasto” vinte anos da minha vida estudando. Sim, quanto mais alargamos nossas possibilidades de leitura da realidade de alguma maneira mais sofrimento sentimos diante da impotência que essa mesma realidade nos impõe. Ao mesmo tempo a inversão de valores que nossa sociedade impôs as relações entre conhecimento e dinheiro acaba potencializando essa sensação de impotência e, como resultados, acabamos tendo nossa auto-estima atropelada e obliterada por completo. A sensação, para um trabalhador intelectual (artístico ou científico, repito), de que seu trabalho, sua existência mesmo, não tem valor nem sentido é a de uma infelicidade lancinante.
Acho que é por isso que nos últimos meses tenho escrito tão pouco neste blog. Afinal, para que inundar meus leitores com essa sensação? Já não basta, mesmo que tentando esconde-la ao máximo, deixar essas emoções serem percebidas por meus alunos?
Bem, a página que encontrei na internet me deu algum alento. Dhingra coloca algumas proposições para que possamos enfrentar a solapante conclusão de que só a ignorância propicia a felicidade perfeita. E como sou medianamente ignorante (sei lá se esse Dhingra não é famoso, se essa questão da “ignorance is a bliss” não é pré-socrática, se o meu problema não está mais para Darwin, etc) vou tentar explora nos meus próximos posts as possibilidades de transcendência dessa situação.
Quem quiser visite o texto de Dhingra e tente me acompanhar nessa viagem…

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