Blog Ricardo Hage.com
Sabe, tem coisas que eu acho muito engraçadas...
Tenho uma aluna meio em crise porquê ela tem que se fixar em um linha de pesquisa no Mestrado em Artes Visuais da
FASM e ela não consegue escolher qual. O orientador que vai trabalhar com ela vai ser definido a partir daí.
Eu particularmente nunca escolhi orientador assim. Na realidade ou eu escolhia um orientador determinado e ia atrás dele para pedir orientação ou então eu era orientado por quem estava dsiponível e me aceitava. Vocês podem achar isso uma bobagem ou a demonstração de uma falta de foco profissional mas sempre achei que a experiência pessoal de um orientador é mais importante que sua linha de pesquisa. Pensar assim é demonstrar uma atitude interdisciplinar, onde as pessoas são mais importantes que as linhas de pesquisa onde atuam.
Isso me lembra novamente da fala do Japiassu!
Ele disse que a coisa mais chata que existe é ficar limitado a uma linha de pesquisa dentro de um departamento qualquer de um universidade. Como é que ele poderia exercitar a vontade pessoal de estar aberto ao mundo, de explorar tudo que é possível no campo filosófico (ele é filósofo, lembram?).
É interessante que isso aconteça no campo de pesquisa das artes também, onde o nome do artista é muito importante.
Quantos alunos já conheci que escolhiam orientadores-artistas pela possibilidade de agregação de valor e transferência de legitimação entre professor e aluno?
É a idéia de que um professor-artista famoso empurra o aluno para o sucesso!
Pode até ser, não nego (e eu mesmo tive orientadores famosos), mas isso não é determinante, pois a questão principal ainda está com o aluno: como é que ele vai gerenciar sua pesquisa e sua carreira?
Acho que a questão preponderante na escolha de um orientador de pesquisa para um mestrado (sejá lá em que área for) não é da especificidade da linha de pesquisa (no nosso caso artística) mas sim de caráter educacional: esse orientador sabe orientar?
É aí que a coisa pega. Tenho visto muitos casos de orientadores que são ótimos pesquisadores,artistas, profissionais, etc, mas que não sabem orientar, não fazem a mínima ídéia do que é isso e que fazem um estrago enorme na vida dos alunos e nas suas próprias vidas. Uma relação orientador-orientando doentia é um passo para a loucura, hehehe.
É...é por isso que prego que todo programa de mestrado e doutorado tenham alguma disciplina voltada para a questão da orientação. Sei que isso não só não é exigido pela CAPES, como também sei da dificuldade de legitimação dessa proposta, mas pelo menos estou falando...
Sei também que essa proposta pode acabar como a que criou as disciplinas de metodologia de pesquisa e que, muitas vezes, só fazem parte dos programas para dizer que existem, pois a tarefa de ensinar a idéia de método acaba ficando sempre para o orientador. No entanto penso que a questão aqui é diferente pois se o orientador é pesquisador ele obrigatóriamente sabe o que é metodologia (ingenuidade minha?). Já no caso da questão da orientação não posso ficar esperando que um pesquisador de fora da área da educação tenha formação pedagógica.
Acho até que depois do curso de Ficção Científica que vou fazer na FASM poderia propôr um curso de extensão sobre orientação de pesquisa...É uma boa idéia.
Acabei de receber um email do Luiz Pedreira Jr. lá do Itaú Cultural divulgando o programa
Rumos Arte Cibernética 2006.
O programa vai selecionar artistas e pesquisadores para receber apoio à produção de obra de arte tecnológica e à pesquisa acadêmica na àrea.
Quem quiser dar uma olhada na proposta e no edital é só clicar aqui:
http://www.itaucultural.org.br/rumos2006As inscrições vão até 18 de novembro.
Eu estou pensando em participar mas não ando muito inteligente, hehehe.
Pensei em comentar um pouco o fechamento de alguns eventos do Motomix no MuBE e no MIS.
Eu junto com o coletivo Electrohipnose estivemos a alguns meses em contato com o MIS para ver se era possível sediar a mostra anual do grupo por lá. Estava quase tudo certo mas aí notamos que o processo parecia emperrado e desistimos do espaço.
A pouco tempo houve a denúncia de desvio do dinheiro pago por eventos comerciais arrecadado pelas instituições e agora surge essa questão de falta de alvará dos espaços para a exibição dos eventos.
Pode-se argumentar que um evento de arte eletrônica, nas palavras de Lucas Bambozzi, curador do Motomix, seja "uma experiência de fusão entre a arte digital e cultura da música eletrônica" e a partir daí elaborar um discurso que legitime este tipo de evento em um espaço voltado para "exposições" no sentido acadêmico da coisa, mas eu acho que está na hora desse tipo de evento tomar alguns cuidados.
Em primeiro lugar penso que artistas envolvidos nesse tipo de exibição precisam sim pedir garantias de que ele será realizado dentro da lei ou sem a possibilidade de criar problemas de ordem legal. É seu nome que está em jogo. Entender o sistema de alvarás e fazer propostas de alteração da legislação é muito importante para um campo de expressão artística em mutação.
Acredito também que é precisso forçar os departamentos de marketing de empresas patrocinadoras de eventos artísticos a entender a idéia de conceito, a importância da trajetória artística e o sentido da arte tecnológica no mundo contemporâneo. Caso contrário corremos o risco de termos nosso trabalho utilizado como "adorno".
Não sou ingênuo nem comunista, hehehe, mas penso que já está na hora de pensarmos de maneira mais estratégica no campo das artes tecnológicas.
Estou fazendo alguns estudos para o site do Mestrado em Artes Visuais da Santa Marcelina.
É engraçado...qual é o partido de um projeto assim? Pois é, se eu estivesse projetando o site de um mestrado qualquer, iria apenas me preocupar com as informações, acessibilidade e leitura das páginas. Mas um site que voltado para ser o reflexo de um programa de pesquisa em Artes Visuais também tem que ser espelho de sua produção.
Ah, e tem um detalhe: o programa tem uma linha de pesquisa em Arte, Tecnologia e Interdisciplinaridade, ou seja, tem que ser fruto de uma pesquisa inovadora.
Well, tenho utilizado o shareware "rapidweaver" para projetar sites a algum tempo. Ele roda só na plataforma Apple (que é a plataforma que a gente usa para pesquisa na FASM) e possibilita que uma série de desenvolvedores espalhados pelo mundo produzam modelos e plug-ins para sites e conteúdo em uso nesse software.
Eu sei desenvolver "templates" para rapidweaver (deveria até ganhar dinheiro com isso, hehehe). O problema é que obedecendo as limitações do tipo de programação utilizada, largura de banda do usuário e outras cositas más fica difícil conceber um modelo de site visualmente sofisticado e que atenda questões conceituais!
Olha, é um sufoco...
Acabei de voltar do encontro do
GEPI com o Hilton Japiassú. Foi ótimo.
Japiassú é, apesar do que o senso comum imagina que seja um filósofo, extremamente divertido e envolvente.
Os cortes dramáticos e as metáforas que ele aplica a suas reflexões sobre a Interdisciplinaridade, a Transdisciplinaridade e a Universidade no Brasil são impressionantes e de uma eficiência exemplar: a gente entende mesmo, hehehe.
Participei do encontro pela manhã no Tuca e do almoço, acompanhado de Ivani Fazenda e alguns colegas do
GEPI.
Ainda não tive tempo para explorar tudo o que ele disse mas pretendo resumir algumas proposições que me foram mais significativas e que tem a ver com o momento que passo em minhas pesquisas.
Estranhei a falta da Raquel Miranda...será que ela também foi para Salvador com a Cecília Carvalho e a Ana Taino participar do Congresso sobre História de Vida?
Agora eu vou é tomar água...
Hoje tem visita do Hilton Japiassú no GEPI/PUC-SP. Pela manhã o encontro é aberto e à tarde privativo do GEPI - Grupo de Estudos e Pesquisa em Interdisciplinaridade.
Convidei também meus orientandos (esqueci dos ex, desculpem) do Núcleo de Pesquisa em Arte, Tecnologia e Interdisciplinairdade no Mestrado em Artes Visuais da FASM.
O Japiassu vem falar de seu último livro, "O Sonho da Transdisciplinaridade".
Bem, o livro é tão novo que nem foi distribuído pela editora ainda. Já encomendei o meu na livraria da Santa Marcelina porquê perdi a oportunidade de entrar na lista que o Américo Sommerman estava fazendo para trazer o livro direto da editora para o pessoal do GEPI.
Será que é por isso que estou insone, hehehe? Vou despreparado ao encontro?
Na realidade conheço razoavelmente a obra do Japiassu. Disse a ele uma vez em um evento na PUC que ele havia exportado a sua alergia ao Positivismo para mim. E eu estou ainda sensibilizado!
Nesse momento não sinto que eu tenha nada para contribuir em relação a Interdisciplinaridade, Transdisciplinaridade e, principalmente, as artes. Já fiz isso naquele texto que publiquei no Congresso de Transdisciplinaridade. Quem quiser pode ler o texto no site do CETRANS - Centro de Transdisciplinaridade.
(leia o texto aqui, em formato Acrobat PDF)Andei revisitando esse texto e levei um susto! Nossa, como estou "denso e profundo", hehehe.
Sei lá, talvez todas as minhas questões sobre a Inter e a Trans estejam lá.
Vamos ver o que vai acontecer nesse encontro...
Dias como o 11 de Setembro acabam obrigando a gente a fazer alguma espécie de balanço de vida. Será que o que eu ando fazendo valeu a pena?
Bem, pensando dessa maneira, percebo que minha atuação na vida não é do tipo bombástica (sem fazer trocadilho com a data, por favor).
Tenho feito coisas que funcionam em escala reduzida, resolvendo problemas pontualmente aqui e ali, trabalhando de certa maneira como um artesão. Quando falo dessas coisas, falo de minha atuação como educador, minha produção como artista e até de minha vida pessoal.
Bem, essa atuação "de pouca potência" não é um problema para mim, eu me sinto confortável nela. Podemos fazer coisas muito importantes, e até mesmo coisas definitivas para um determinado campo profissional ou do conhecimento, sem nos tornarmos violentamente competitivos, ou mesmo darwinisticamente subversivos (sempre vejo pessoas competitivas como pessoas submetidas a Darwin, hehehe).
É como este Blog... tenho mantido este espaço desde 2004 mas, na realidade, já mantinha o "Blog do Bedu" desde 1999. É bastante tempo e tenho registrado minhas reflexões por aqui com alguma regularidade. Em alguns momentos fico um ou dois meses sem escrever e subtamente desembesto (é assim que escreve?) a publicar...
Manter o arquivo dos posts na internet também é uma coisa importante pois forma um referêncial de assuntos para os mecanismos de busca, como o Google.
É por estas e outras que um balanço de 11 de setembro me leva a agradecer a vocês pela sólida audiência!
Obrigado...
Ontem contei a Ivani Fazenda, durante o aniversário de 2 anos de sua neta, que muitas pessoas acabam em meu blog procurando por sua biografia através de mecanismos de busca como o
Google.
Ivani riu e disse que as pessoas andam achando que ela já está morta e aí resolvi falar um pouco sobre o assunto.
No Brasil somos ensinados a entender que um autor, artista ou pensador que tem seu trabalho divulgado, utilizado ou criticado já está morto e enterrado e só por isso pode ser importante. É como se a morte por si só desse valor a uma pessoa.
Conheço muitos pensadores, filosofos, educadores e artistas que meus alunos e pessoas que encontro em ambientes acadêmicos acreditam mortas.
É por isso que fiz questão de dizer que estive na festa de aniversário da neta da Ivani, para acentuar que ela está viva e que tem uma vida normal, como a de todos nós. Talvez esse endeusamento das pessoas que produzem alguma forma de conhecimento importante seja uma das peças da máquina social que faz do brasileiro um ser tão pouco ambicioso em relação a sua produção de conhecimento e criatividade.
Toda a sociedade (e a escola é grande formadora disso) nos pergunta "quem é você para construír alguma coisa?".
Pois bem, não somos ninguém, da mesma maneira como os grandes especialistas também não são. São gente como todo mundo...
Mas se essas pessoas que escrevem, pintam e bordam e que são vistas e ouvidas tem algo de diferente em relação ao brasileiro comum é a ousadia de escreverem, pintarem e bordarem fora do lugar comum, apresentando idéias que são significativas e que resolvem problemas.
É só isso.
Bem, de qualquer maneira vou ver se faço uma biografia da Ivani para colocar no site do
GEPI.