Blog Ricardo Hage.com
Quinta-feira, Setembro 28, 2006
 
Hoje pensei na idéia de artista como empreendedor...
É, estive hoje em um encontro sobre a coordenação academica como gestora em universidades privadas e o pessoal de artes começou a discutir o assunto.
Foi então que imaginei desenvolver um pouco esse tema, afinal, em um ambiente tão desfavorável ao florescimento de artistas como profissionais deve ser interessante iniciar um pouco a discussão sobre isso.
Aguardem.
 
Quarta-feira, Setembro 27, 2006
 
Soube por notícias meio desconexas mas de alto escalão, hehehe, que o CNPQ anda investigando alguns professores que teriam registrado titulação inexistente no Sistema de Currículos Lattes. Recebi até um e-mail com links colocados em um blog "provando" essa falsificação (ou má fé, sei lá) de um determinado professor.
Não sei se é verdade, não sei se existem interesses políticos em fazer isso, não sei de nada, não conheço pessoalmente as pessoas envolvidas, só sei de uma coisa: estou cansado desse clima cartorial do sistema acadêmico.
Não acredito que pessoas que tenham passado por um mestrado e um doutorado "de verdade" necessitem criar qualquer tipo de mentira sobre sua titulação acadêmica mas o sistema em si é tão ligado à papéis e diplomas que é fácil para alguém pensar em criar falsificações.
Um certificado de mestrado ou doutorado no Brasil abre portas facilmente para pessoas habilidosas e comunicativas. Muitas vezes as instituições não ligam muito para o que ele tem a dizer ou sobre o que ele produz mas sim sobre quantas titulações o fulano tem.
Titulações de "Pós - doc" e coisas do gênero também inflam currículos mas as vezes não refletem nada que seja realmente importante.
Normalmente essas pessoas, quando publicam alguma coisa, publicam trabalhos superficiais, sofríveis, que não tem a possibilidade de mudar nada, de resolver problemas, de propor questões novas que são o cerne da idéia de pesquisa.
Sei que no Brasil o caráter cartorialista está ligado à nossa colonização e a posterior introdução do Positivismo como fundamento da idéia de sociedade e estado, mas está na hora de tentarmos modificar um pouco as coisas.
É por isso que acredito pouco na capacidade de produção de novidades no sistema universitário brasileiro, pois talvez estejamos inflados de doutores que não são doutos e mestres que não são mestres, pois são apenas seres diplomados.
Mas também, quem é que liga pra isso...
 
 
Hoje as 16hs vou participar da banca de Mestrado de Mariana Aranha na PUC/SP.
Ela também é orientanda da Ivani Fazenda no GEPI.
Ai, lá vou eu de novo ter que parecer inteligente.
Pois é, vocês acham que o orientando é o único a passar por stress?
Que nada, os professores da banca também tem centenas de questões que determinam o seu grau de segurança em relação a sua atuação em uma banca de pós-graduação strictu senso.
Por exemplo, quando se é convidado externo à instituição sede do programa de pós-gradução o professor pode ficar em dúvida quanto aos critérios de avaliação: ele deve ser mais ou menos rigoroso em sua avaliação?
Outra questão é o medo de ter o seu discurso avaliado também pelos colegas participantes da banca, correndo o risco de receber críticas durante a própria avaliação do orientando.
É o medo da avaliação pelos pares.
No meu caso não corro este risco. Aprendemos no GEPI com muita dificuldade que é necessário um aprofundamento nas questões da Interdisciplinaridade para que pesquisas da área possam ser entendidas e avaliadas com justiça, o que equivale dizer que aprendemos a chamar para bancas de mestrado e doutorado colegas que atuam na área de maneira análoga.
Uma crítica muito comum a essa postura é quanto ao perigo da tal endogenia teorica: todos, aluno e avaliadores, pensam da mesma maneira e não há a inclusão de questões inovadoras. A participação de uma pessoa de fora do circuito teórico possibilitaria isso.
Ora, mas não é bem isso que acontece.
Uma boa parte das vezes um participante pouco familiarizado com as questões teóricas relativas ao campo de pesquisa pode, por insegurança, tentar destruir aquele tipo de reflexão que para ele é "alienígena".
Outra situação perigosa é a do participante que, pretendendo afirmar uma hierarquização do pensamento que privilegia sua linha teórica (ou mesmo seu grupo acadêmico, do ponto de vista social), acaba por atacar aquela corrente teorica que está sendo apresentada pelo aluno.
Na realidade a avaliação possível em uma banca de mestrado ou doutorado nas áreas de ciências humanas ou artes não é a de cunho valorativa, é a de cunhoi processual. E digo mais, essa avaliação tem sempre a intenção ou necessidade de apontar a continuação do processo de pesquisa para o aluno/pesquisador.
Mais que um rito de passagem uma banca deve ser um rito de empuxo, empurrando o aluno para novos horizontes sem destruir o que para ele é mais importante, a sua própria pesquisa.
 
Terça-feira, Setembro 26, 2006
 
Hoje aconteceu uma situação típica da minha maneira de pensar...
Há duas semanas atrás Chris Mello, professora do Mestrado em Artes Visuais FASM, pediu a nós, colegas do programa, que escrevessemos um parágrafo sobre a questão da memória.
Eu esqueci...
Hoje (ontem), durante uma orientação, minha aluna Claudia Duzzi perguntou sobre a questão da memória. Imediatamente lembrei do pedido da Chris e começamos a conversar sobre o assunto. A orientação enveredou por outras questões e acabamos esquecendo da memória.
Já em casa, durante o banho, a água quente me ajudou a lembrar da questão e pensando sobre o assunto cheguei a uma conclusão: para mim a memória é esquecimento!
Pois é, eu tenho um grande problema com a memória. Minha memoria sempre foi "fraca". Na escola, durante fases decorativas, sempre sofri. A tabuada até hoje não decorei. As lembranças de minha infância e adolescência são desbotadas e difusas. A memória de minha idade adulta também, não consigo me lembrar sequer do que almoçei no dia anterior.
Essa falta de memória fez com que a questão da memória fosse muito importante para mim.
Utilizo agendas a muito tempo e desde 1997 registro meus compromissos em equipamentos do tipo Palm. Tenho todos os registros desses dez anos de vida e trabalho em formato digital. Esses dados estão protegidos e distribuídos através do serviço ".Mac" da Apple onde sincronizo multiplos computadores com meus contatos e agenda pessoal.
Tenho a maior parte de meus arquivos de imagem e texto gravados em CDs e DVDs; todos meus emails desde 2003 estão armazendos; minhas aquarelas registradas e arquivadas em pastas; meus cadernos de artista estão preservados; enfim, se a minha mente não mantém a memória utilizo artifícios externos para que a memória de minhas reflexões e produções não se perca.
Voltando ao banho, fiquei petrificado com a descoberta.
Meus desespero não se dava pela constatação que havia feito mas sim pelo medo de esquecer essa reflexão antes do banho acabar!
Eu precisava sair do banho e fazer algum tipo de registro. Fiquei repetindo como mantra "memória é esquecimento" até sair do banho e pegar o primeiro equipamento de registro que me apareceu pela frente: a camera fotográfica digital em modo de gravação de som.
Pois é, algumas pessoas acham que eu sou eficiente e organizado. Na realidade sou desmemoriado, hehehe.
Se eu me lembrar, juro que escreverei sobre os autores que falaram de ausência da memória. Se bem me recordo (piada, né?) Heidegger falou algo a respeito. Na Interdisciplinaridade estudamos a memória já há algum tempo, principalmente durante as conversas entre Fazenda e Nóvoa sobre a questão do registro de vida.
Mesmo tendo estudado o assunto foi só a aflição do banho que me fez despertar para essa reflexão pessoal: entendo a memória antes de tudo como esquecimento...
 
Domingo, Setembro 24, 2006
 
Soube hoje pela Folha (sábado) que a livraria Duas Cidades vai fechar, quer dizer, fechou.
Hoje seria o último dia de funcionamento.
Mas...a livraria interna da FASM não era administrada pela Duas Cidades? Pelo menos parece que foi isso que a encarregada da livraria me contou.
Pelo que me lembro ela teria dito que eles estavam avaliando se não era o caso de mudar de bairro: sairiam do centro da cidade e iriam para o Brooklin (paulistano, é óbvio).
E confesso que essa conversa se deu ao mesmo tempo que dois eventos diferentes e por isso nem dessa informação tenho certeza: de um lado João Braga, meu colega de Santa Marcelina, me convidava para o lançamento de seu último livro (de uma série sobre moda). Do outro lado eu tentava provar a Luise Weiss que o retrato de mulher que existe na pintura "O Crítico" de Norman Rockwell (havia acabado de comprar o livro da Taschen) era a cara dela.
Não convenci...
 
 
Pretendo dar uma atualizada na imagem de fundo deste blog.
A imagem atual é da série "Do Gabinete de Cecília". É uma foto das folhas de bananeiras ornamentais que ficam por detrás da janela do escritório da minha amiga Cecília Gasparian.
São imagens produzidas em Julho e, na realidade, não produzi nada de muito interessante depois disso.
Esse é o problema da gente se dispor a fazer atualizações radicais em um site: haja inspiração!
Quem sabe consigo algo na semana que vêm?
 
Artes Visuais, Interdisciplinaridade e Ensino

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