Uma das coisas mais estranhas nesse meu blog é o sistema de comentários.
Durante uns três anos mantive o blog sem links para comentários de usuários pois o template do blog que eu usava não comportava isso.
Há poucos meses acabei conseguindo inserir os links para comentários mas para minha surpresa só a M.A.D.A.L.I. (artista visual e marca registrada) deixa algum recado.
Hoje recebi uma notificação de comentários e fui dar uma olhada. Era uma mensagem de Jorge Sousa Brito, Reitor da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde. Como é um pesquisador da Transdisciplinaridade (e parece que essa a linha fundamental da universidade) estava interessado na visita do Hilton Japiassu ao GEPI.
Achei ótimo, agradeço seu interesse pelo texto que apresentei no II Congresso de Transdisciplinaridade, e a partir dessa visita fiz algumas reflexões...
Em primeiro lugar, preciso colocar alguns links para os meus textos que estão publicados online. São vários e estão em vários lugares. Pensei também em manter alguns desses textos em meu próprio servidor, como fiz no passado, numa espécie de biblioteca on-line. Sei que muitos pesquisadores podem achar isso um absurdo pois é fácil alguém em má fé "copiar e colar" idéias e depois publicar por aí como se fossem suas. No entanto o prazer que sinto quando alguém se comunica para dizer que minhas idéias foram de alguma maneira importantes, supera qualquer preocupação que eu pudesse ter sobre o assunto.
Em segundo lugar começei a pensar sobre a inserção que meu blog tem na internet de língua portuguesa (se bem que eu escrevo no que mais parece ser uma língua brasileira, hehehe). Acho que nunca fui perguntado sobre a audiência deste blog...
Bem, para quem quiser saber, atualmente a média de acessos oscila entre 70 e 100 visitantes únicos por dia.
Ao mês tenho cerca de 2500 visitantes únicos (ou seja, usuários diferenciados). A maioria é do Brasil mesmo.
As palavras chaves mais procuradas nos buscadores (como o google) que acabam direcionando visitantes para o blog tem ligação com as questões das artes e da cultura, da educação (principalmente superior), da interdisciplinaridade, da transdisciplinaridade e de pessoas individualmente (busca pelo nome de alguém em específico).
Esses dados me parecem dizer que de alguma maneira algo está impedindo que as pessoas discutam no sistema de comentários as coisas que publico, pois falta de público não tenho.
Será que tenho publicado minhas idéias de maneira muito fechada, impossibilitando que pareça haver um real desejo de que o visitante deixe comentários?
Será que não tenho, no design do template, evidenciado o link para o uso de comentários?
Quem souber a resposta, por favor, deixe um comentário, ok?
PS. Para quem quiser ver um blog caboverdiano (será assim que se fala?) voltado para as questões da Transdisciplinaridade é só clicar em
TransdisciplinarCV.
Gente, acabei de receber o catalogo da exposição do mês na Apexart de Nova Yorque (sic). Todo o mês recebo esse catálogo e todo mês eu me espanto com a confusão que nós fazemos em relação a arte contemporanea (comparando com o "primeiro mundo").
A expo deste mês se chamou "Neo-Con, o retorno contemporaneo da Arte Conceitual".
Os trabalhos expostos são muito interessantes pois colocam uma coisa que esquecemos por aqui: desde Duchamp (ainda em seus primórdios e sem nome) e chegando a LeWitt a arte conceitual tem um componente crítico que produz obras de alguma maneira provocadoras e mesmo engraçadas.
Fiquei impressionado com o trabalho do português João Onofre. Nele o artista reconstrói "Baldessari Sings LeWitt" ( video performance de 1972 onde John Baldessari canta linhas do Manifesto da Arte Conceitual de LeWitt como musica popular) trocando a letra de like a Virgin de Madonna pelo manifesto de LeWitt.
Por aqui os artistas andam se levando muito a sério... provavelmente o projeto do português nunca seria exibido no Brasil (pelo menos não em instituições de peso).
E também acho difícil que propostas nacionais desse tipo tivessem alguma divulgação.
Mas não posso reclamar: uma boa parte dos meus alunos lembra bem das gravuras digitais da série "Moças do Leite Moça". não quero mais nada, hehehe.
Deu pra entender porquê gostei da nova expo da Apexart?
Depois eu falo um pouco mais dos outros artistas mas...preciso pelo menos dizer que tem uma video instalação de Francesco Vezzoli chamada "The Return of Bruce Nauman's Bouncing Balls".
Gente, eu me recuso a traduzir o título da obra (quem quiser que aprenda inglês) mas o still do video impresso no catálogo é de uma beleza ligada ao sublime Kantiano, hehehe.
Falando sério, muitos dirão que o video é de mau gosto ou pornográfico, mas (apenas pelo still, tá) tem alguma coisa ali muito importnte quanto a relação entre composição, poética e metáfora.
Não estou louco não (e vocês sabem como sou pudico), mas o tempo e a crítica dirão se estou certo...
Deu no
Uol DIversão e Arte: Marcelo Cidade, Superflex e Zamora têm obras vetadas na Bienal.
Pois bem, Marcelo cidade ia instalar bloqueadores de celular em todo pavilhão da Bienal, o grupo Superflex ia distribuir um produto chamado Guaraná Power e o Zamorra ia colocar aguapés no lago do Ibirapuera.
Pois bem, existem duas formas de ler essas situação.
A primeira forma é a forma conservadora, aquele olhar do pintor acadêmico que existe dentro de todos nós. Para esse olhar estes artistas são uns loucos, insanos, e afinal essas propostas não teriam nada de "artístico"!
A segunda forma de olhar é através de um viés "contemporaneo": essas propostas são relevantes, discutem a realidade e colocam a sociedade e os sistemas em xeque...
Será?
A partir de um olhar interdisciplinar, que prega que não devemos nem ir tanto ao mar nem tanto à terra, podemos analisar as três situações separadamente.
A proposta de Marcelo Cidade me chamou muita a atenção. É um trabalho que discute desde a questão do uso de celulares nos presídios, controlando a criminalidade aqui fora, até a aceitação social de que todos nós, ricos ou pobres, cultos ou analfabetos, estamos disponíveis o tempo todo e em qualquer lugar. Criar um bloqueio de celulares na Bienal seria quase que como voltar a idade da pedra. Pessoas sairiam do pavilhão só para usar o celular da mesma maneira como fumantes precisam ir para uma área específica resolver seu vício.
É, nem sei o quão profundamente o artista foi na reflexão da metáfora que seu trabalho encarna, mas dá pano pra manga.
E o engraçado é que muitos de meus alunos conhecem pessoalmente o Cidade e eu não, mas também eu não faço parte do circuito, né... Sou um celular bloqueado, hehehe.
Bem, quanto ao Zamorra, juro que não entendi bem ou talvez a descrição que a matéria faz do seu trabalho não seja das melhores. Me pareceu que a intervenção no lago do Ibirapuera era apenas parte de seu projeto.
Não entendi também se o video feito com Lucia Koch (essa eu conheci na FASM) e Marilá Dardot já faziam parte do projeto ou foi uma forma de protesto criada depois do proibição.
Talvez fosse o caso do artista se pronunciar novamente, sei lá...
(para artistas participantes da Bienal deve ser fácil conseguir um espacinho para protestos nos cadernos de cultura de nossos jornais, hehehe)
Ah, e os dinamarqueses do Superflex?
Eu entendo muito bem o problema deles. Muitas vezes meus trabalhos esbarraram no mesmo problema. O que já percebi é que, no caso de trabalhos artísticos que criam discussões sobre marcas, produtos e mesmo idéias estabelecidas por grupos hegemônicos, a comunidade artística (os colegas) começam a botar medo na gente.
É, por incrível que pareça são os próprios componentes do ArtWorld, gente que por definição deveria entender e dar legitimação ao trabalho do artista de forma esclarecida, que acabam criando e divulgando discursos que minam a legitimidade de obras questionadoras (ou sacarsticas). Desse jeito Duchamp nunca conseguiria exibir sua "fonte" hoje em dia. (PS. Vcs sabiam que "fountain" era um apelido para Mictório no início do século na Inglaterra? Basta ler Bernard Shawn... entenderam o que quis dizer, né?)
Well, quando fiz as gravuras digitais da série "Moças do Leite Moça" muita gente veio me dizer que eu poderia ser processado pelo uso daquela imagem, mas, ora bolas, ela (a moça) estava sendo aposentada e eu resolvi eternizar o meu carinho por aquela figura histórica (a moça do leite moça) em algum tipo de trabalho.
Pois bem, criei uma série de moças modificando traços e cor da pele, criando moças étnicas. Uma delas ficou muito boa, a moça japonesa, hehehe.
E para piorar a situação expus as gravuras digitais em uma das exposições da Labor.
E o que aconteceu?
Alguns meses depois a propaganda do leite moça aparece com moças de tudo quanto é raça. Tinha até moça sexy...
E eu, não processei ninguém...entenderam?
É, e para terminar, o presidente da Bienal disse que pessoalmente acha a proposta do Superflex de mau gosto...
Bem, se ele pode falar em gosto, então eu vou voltar a usar apenas Baungartem como referência de estética.
Se o presidente da Bienal disse isso então posso afirmar que estética não é nada mais, nada menos, do quê apenas o "discurso do gosto".
Cruzes!
PS2: Acho até que se o pessoal tivesse pedido um patrocímio para a marca mais "povão" desse produto (não falo o nome dessa marca para não correr o risco de ser processado, mas vocês conhecem) eles topavam. É uma marca guerilheira, hehehe.
AInda estou sob o stress do primeiro turno da eleições, hehehe, e por isso não postei nada...
Mas não faz mal, fiquei delineando um projeto para apresentar no projeto Itau Rumos. Acho que desta vez vai.