Ricardo Hage de Matos nasceu em 1965 na cidade de São
Paulo.
Seu interesse pelas artes e o fascínio que tinha pelo rádio
amadorismo e a eletrônica o levou, ainda na adolescência, a
conhecer os primeiros computadores e produzir seus
primeiros trabalhos em computação gráfica (1985). Frustrado
com a qualidade de imagem obtidas pelas impressoras
digitais da época resolve então estudar linguagens
clássicas como a do desenho. Esse interesse o leva a
ingressar no curso de arquitetura da FAU/USP.
Cursa todas as disciplinas optativas do departamento de
Comunicação Visual estudando com Maurício Nogueira Lima,
Cláudio Tozzi e Décio Pignatari. Estuda também história da
arte com Aracy Amaral. Participa nesta época de várias
ExpoFaus. Participa também pela primeira vez em um salão
experimental de arte têxtil patrocinado pela Rhodia. Começa
a voltar seu trabalho para os aspectos tecnológicos da
estética.
Finaliza o curso de Arquitetura (TGI 1988) orientado por
Giancarlo Gasperini apresentando um projeto de cidade para
cerca de 3000 habitantes localizada na Lua (Cidade de São
Jorge). Neste projeto perverte a tecnologia da NASA no
sentido de conseguir espaços esteticamente concebidos. O
projeto é reconhecido como o primeiro projeto urbano
não-habitat feito no Brasil.
Em 1990 inicia-se na área de Interdisciplinaridade como
pesquisador do GEPI – Grupo de Estudos e Pesquisa em
Interdisciplinaridade da PUC/SP sob orientação de Ivani
Fazenda. Fundamentado na teoria da Interdisciplinaridade
propõe, em uma consultoria sobre o projeto da base
brasileira na Antártida (1991), que os problemas de
flutuabilidade da estrutura sejam resolvidos por uma
abordagem formal da harmonia do projeto.
Termina o Mestrado em Educação: Currículo na PUC/SP em 1992
e inicia um trabalho como professor dos cursos de Moda e
Artes Plásticas na Faculdade Santa Marcelina. Começa neste
momento uma pesquisa profunda sobre a vetorização de
imagens em Bitmap como suporte de sua linguagem visual.
Trabalhando com um PC 286, um monitor monocromático e uma
impressora matricial, escaneriza imagens em baixa resolução
usando um scanner de mão, iniciando assim a série
CyberDivas.
A apresentação dessa série provoca mal estar: muitas das
críticas enquadravam o trabalho como Pop Art baseando-se em
uma leitura formal superficial da obra. Superando as
críticas a partir de uma reflexão filosófica continua a
pesquisar nessa linguagem e resolve o problema com a
releitura e recorte das imagens de São Paulo encontradas em
cartões postais (série CyberSampa, 1997).
Em 1999 apresenta com Carla Fazenda e Manolo Perez a mostra
2000: Imagens do Futuro, onde desenvolve as questões da
representação imagética do futuro criadas ao longo do
século XX. Utiliza-se pela primeira vez da computação
gráfica vetorial em conjunto com a imagem em
Bitmap. Neste trabalho imagem digital pura e desenho
do próprio punho em grafite se confundem em um único
arquivo de imagem. As obras são impressas em grandes
dimensões ampliando em muito a relação que o artista tinha
com seu espaço pictórico.
Já em uma nova fase inicia uma pesquisa sobre simulação
visual. Estudando softwares começa a simular
prioritariamente aquarela desenvolvendo uma série de
técnicas e formas tecnologicamente definidas. Imprime os
trabalhos dessa fase em jato de tinta sobre papel artístico
comum, criando uma nova forma de tratamento desses
materiais e registrando sua pesquisa no CNPq. Logo começa a
compreender este trabalho dentro do âmbito da gravura pois
sua reprodutibilidade é uma pista de sua natureza.
Levando esta reflexão ao extremo o artista desenvolve os
trabalhos da série CyberLitho (2000), gravuras digitais
simulando as várias formas existentes de gravura e
discursando visualmente sobre o uso da cor e não cor.
Funda o Núcleo de Pesquisa em Arte e Tecnologia FASM (2001)
e inicia o projeto “Produção da Imagem
Tecnológica”. Neste projeto produz vídeos e
fotografias digitais discutindo a relação entre cultura
brasileira, tecnologia e imagem. Implanta também o Ateliê
de Arte e Tecnologia com a plataforma Apple.
A experiência interdisciplinar de Ricardo Hage como artista
e educador em arte tecnológica é fio condutor de seu
Doutorado em Educação: Currículo (PUC/SP, 2003) intitulado
"O Sentido da Praxis no Ensino e Pesquisa em Artes Visuais:
Uma Investigação Interdisciplinar".
Em 2005 inicia o trabalho com o grupo coletivo de video
arte ElectroHipnose participando da produção de trabalhos
que exploram imagem, imaginação e sonoridade.
Em 2006 inicia a organização do site "Teletransport Art at
Teletransport.org",
projeto voltado para a investigação do futuro das artes
visuais. Totalmente produzido em inglês o projeto
Teletransport Art pretende explorar essa questão em um
foco intercultural.
Em 2007 constrói a
presença virtual do Núcleo de Arte e
Tecnologia na plataforma Second Life
e participa da inauguração do FILE Labo durante o FILE
2007. Participa também da criação da Revista Eletrônica
Interdisciplinaridade e Cultura.
Atualmente continua a trabalhar na FASM onde, alem de
coordenador do Núcleo de Arte e Tecnologia, é professor do
Mestrado em Artes Visuais, projeto pioneiro do qual foi um
dos idealizadores.
